Com fim do vazio sanitário, plantio da soja começa nessa quinta-feira (10)

09/09/2020

O vazio sanitário no Paraná, que encerra nessa quinta-feira (10), proibiu o plantio da soja por três meses para evitar o surgimento do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática. A medida anual está prevista na Portaria 342/2019 da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). No período, produtores que não respeitaram a medida foram multados. A Adapar emitiu, neste ano, 206 notificações e 204 autuações aos inadimplentes. Para o inspetor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Engenheiro Agrônomo Ramael Lázaro Luiz, apesar das multas aplicadas, a maioria dos produtores respeita o vazio sanitário, faz o monitoramento da lavoura e o controle com o fungicida específico, porque sabe dos resultados satisfatórios para a quebra do ciclo da doença durante a entressafra.

Ele complementa que a medida também reduz o número de aplicações de fungicidas, desacelera o processo de resistência do patógeno aos agroquímicos, impactando no custo de produção e na redução da produtividade da soja. “São poucos casos de ferrugem-asiática registrados em propriedades da região Noroeste, porque os produtores cuidam da cultura e também porque a doença depende do clima, de temperaturas mais amenas no período da noite e orvalho intenso, até 10h ou 11h da manhã. Como aqui ocorre o contrário, o fungo tem dificuldades de se multiplicar e consequentemente, a incidência da doença é considerada baixa”, destaca.

Quanto ao tempo de vazio sanitário, cada Estado decide o seu, que pode variar de 60 até 90 dias. Já o ciclo do fungo dura em torno de 57 dias. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil perde R$ 2 bilhões por safra ao ano no controle da doença, considerada agressiva para a cultura. Na safra 2019/20, o Estado registrou 71 ocorrências de ferrugem-asiática, enquanto na temporada anterior foram 58 ocorrências.

Para o próximo plantio da soja, o inspetor do Crea-PR explica que os produtores estão organizados, embora eles precisem da chuva para plantar. Outra coisa, é que na região o plantio maior da soja ocorre no final de setembro e início de outubro. “Além do solo estar úmido para germinação da planta, tem que ter chuva prevista para o grão se desenvolver bem. Então, a chuva é o principal adubo dessa cultura. Como agosto foi um mês meio seco e setembro já iniciou com pouca chuva, neste ano o produtor deve atrasar o plantio até a normalização do clima”, destaca.

Ao falar da importância da medida, o coordenador de Programa de Prevenção e Controle de Pragas Agrícolas e Florestais da Adapar, Engenheiro Agrônomo Marcílio Martins Araújo, ressalta que as perdas na produção por causa da ferrugem-asiática podem chegar a 90%, por isto o vazio sanitário deve ser adotado em conjunto com outras medidas complementares.

“A adoção de práticas de monitoramento das lavouras - com a investigação e acompanhamento do aparecimento dos primeiros focos da doença - e de recomendações técnicas profissionais, para o devido tratamento, com fungicidas adequados e indicados pela pesquisa, devidamente registrados para o uso, é que proporciona o controle da doença e tem possibilitado a alta produtividade da cultura da soja no Paraná, resultando em produções recordes, mantendo o Estado como o segundo maior produtor nacional dessa commodity”, destaca.

Ainda segundo o Engenheiro Agrônomo da Adapar, todas as culturas vegetais são beneficiadas quando produtores rurais e profissionais da Agronomia planejam a adoção de técnicas de rotação de culturas; de plantios de coberturas de solos; da adoção do vazio sanitário estabelecido para cultura que interrompe o ciclo das pragas, ou quando implantado uma cultura diferente, em que se adotam tratamentos e manejos diferenciados, para pragas diferentes, dessa forma possibilita o controle das pragas de forma geral.

A Adapar segue as orientações do Programa Nacional de Controle de Ferrugem Asiática da Soja do Ministério da Agricultura. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), apontam que na safra 2019/20 da soja foram produzidas 20,7 milhões de toneladas em 5,5 milhões de hectares paranaenses.

Caderno Técnico de Agronomia
O Crea-PR disponibiliza aos profissionais das áreas das Engenharias, da Agronomia, das Geociências, das Tecnológicas e Técnicas, uma série de publicações sobre diversos temas, denominadas Cadernos Técnicos da Agenda Parlamentar do Crea-PR. O tema de uma das publicações na área de Agronomia é “Manejo e Conservação do Solo e da Água”. Acesse o conteúdo clicando neste link: https://www.crea-pr.org.br/ws/wp-content/uploads/2016/12/manejo-e-conservacao-do-solo-e-da-agua.pdf. O material é assinado pelos Engenheiros Agrônomos Oromar João Bertol, Manoel Luiz de Azevedo, Enio Antonio Bragagnolo e Antonio Bodnar.

O documento evidencia as principais causas da degradação do solo e da água no Paraná e aponta ações para o correto manejo e conservação destes recursos, considerados os mais importantes no patrimônio natural do Estado. A ideia é que o material contribua para que os processos produtivos desenvolvidos no território paranaense sejam socialmente, ambientalmente e economicamente sustentáveis.


Fonte: Crea PR

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