DÓLAR À VISTA FECHA A R$ 5,2500, EM QUEDA DE 0,18%
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Data: 4 de fevereiro de 2026
SOJA/AGRESOURCE: REGRA 45Z SUSTENTA ÓLEO, MAS SAFRA SUL-AMERICANA LIMITA REAÇÃO DO GRÃO
A divulgação das diretrizes do crédito tributário 45Z pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos trouxe suporte às margens do complexo soja ao excluir a penalidade de mudança indireta no uso da terra, mas o efeito sobre os preços do grão tende a ser limitado pela elevada utilização da capacidade de esmagamento nos EUA e pela perspectiva de uma safra robusta na América do Sul, avaliaram analistas da AgResource em transmissão nesta terça-feira.
Segundo o presidente da consultoria, Dan Basse, a exclusão do fator conhecido como ILUC, sigla em inglês para mudança indireta no uso da terra, é o principal ponto da regulamentação de cerca de 170 páginas divulgada hoje. “Isso adiciona cerca de 32 centavos de dólar por galão ao biodiesel e ao diesel renovável, e é por isso que o mercado de óleo de soja reagiu”, afirmou. Para ele, apesar do impacto positivo, decisões ainda pendentes sobre os volumes obrigatórios de mistura de biocombustíveis e eventuais isenções a pequenas refinarias devem ter peso maior sobre o mercado nos próximos meses.
As margens de esmagamento nos Estados Unidos estão próximas de US$ 1,90 por bushel, nível considerado elevado pela consultoria. A participação do óleo no valor total da soja processada subiu para cerca de 48%, refletindo a demanda firme por biocombustíveis. Nesse cenário, segundo Basse, a indústria continua comprando soja de forma agressiva e operando plantas perto do limite técnico.
A capacidade de esmagamento americana trabalha hoje em torno de 92% do máximo diário e poderia alcançar 93%, mas esse ritmo não é sustentável ao longo do ano. De acordo com Basse, a própria indústria considera que uma taxa média entre 89% e 90% já representa operação próxima do limite, devido à necessidade de paradas para manutenção. Mesmo com três novas plantas previstas para entrar em operação ainda em 2026, o espaço para aumento adicional do esmagamento é restrito, estimado entre 10 milhões e 20 milhões de bushels.
Diante desse quadro, Basse afirmou que a soja pode voltar a testar níveis entre US$ 10,75 e US$ 10,85 por bushel em Chicago, faixa próxima às máximas recentes, mas a oferta global elevada tende a pressionar as cotações mais adiante. “Com maiores estoques globais, vemos espaço para preços voltarem à faixa de US$ 9,80 a US$ 10 por bushel no fim do inverno ou início da primavera”, disse, acrescentando que valores ainda mais baixos dependeriam de aumento de área plantada nos EUA e clima favorável, fatores ainda indefinidos.
No lado climático, o analista da AgResource, Ben Buckner, destacou que a chegada de chuvas à Argentina reduz os riscos para a safra. Segundo ele, áreas mais secas devem receber entre duas e quatro polegadas de precipitação nas próximas semanas, volume considerado oportuno para o milho tardio e para a fase reprodutiva da soja. “A regularidade dessas chuvas é crucial e, neste momento, a água não deve ser um problema”, afirmou.
No Brasil, Buckner ressaltou a elevação das estimativas de produção, com destaque para Mato Grosso. Dados regionais indicam revisão para 50,5 milhões de toneladas no Estado, alta de 3,3 milhões em relação à projeção de dezembro. Segundo ele, os números ainda consideram produtividade inferior à do ano passado, mas as condições observadas em campo indicam potencial para rendimento recorde. “Mato Grosso pode chegar a 52 ou 53 milhões de toneladas, o que colocaria a safra brasileira acima de 180 milhões”, disse.
A AgResource também chamou atenção para o quadro confortável de oferta global de grãos. Indicadores de vegetação na Índia, principal produtor mundial de trigo, apontam condições acima da média, enquanto os estoques de arroz permanecem elevados. Para a consultoria, esse pano de fundo reduz a probabilidade de choques de oferta no curto prazo e reforça um ambiente de preços mais contidos no mercado internacional.
COTAÇÕES DO COMPLEXO SOJA NA BOLSA DE CHICAGO
| GRÃO | ||
|---|---|---|
| US$/bushel | cents | |
| Nov/25 | 10,7225 | -2,75 |
| Jan/26 | 10,8575 | -2,00 |
| Mar/26 | 10,9975 | -1,25 |
| Mai/26 | 10,9750 | -1,00 |
| FARELO | ||
|---|---|---|
| US$/t | US$ | |
| Out/25 | 296,00 | -1,80 |
| Dez/25 | 300,20 | -1,30 |
| Jan/26 | 305,50 | -1,00 |
| Mar/26 | 307,30 | -1,00 |
| ÓLEO | ||
|---|---|---|
| (cents/libra) | pontos | |
| Out/25 | 54,03 | -28 |
| Dez/25 | 54,58 | -27 |
| Jan/26 | 54,91 | -26 |
| Mar/26 | 54,69 | -26 |
PREÇOS AGROPAN
| Preços válidos das 9:10h às 12h | ||||
|---|---|---|---|---|
| Soja | Soja US$ | Milho R$ | Trigo - PH 78 | Dólar |
| R$ 115,00 | 21,90 | 58,00 | 55,00 | 5,2500 |
As opiniões contidas neste relatório são pessoais e não representam em hipótese alguma recomendação para compra e/ou venda de contratos nos mercados futuros e/ou físico.

